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Mensagem por ivanginato23 em Seg Jun 12 2017, 10:24

A gente Honório Cota 


Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa corrente de ouro do reló- gio; a calça é que era como a de todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões (batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo, por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito. Dava gosto ver: O passo vagaroso de quem não tem pressa — o mundo podia esperar por ele, o peito magro estufado, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Igreja cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas vezes só para vê-lo passar. Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro, descarnado, como uma ave pernalta de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava sempre a impressão de uma grande e ponderada fgura. Não jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-as FEITO medisse os passos, quebrando os joelhos em reto. Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado de couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande, imponente fgura, que enchia as vistas. Parecia um daqueles cavaleiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando iam para a guerra armados cavaleiros. (Ópera dos mortos, 1970.) 

Analisando o último período do terceiro parágrafo, verifca-se que a palavra “feito” é empregada como 
A) advérbio. 
B) verbo. 
C) substantivo. 
D) adjetivo.
E) conjunção. 

Resolução 
Feito, particípio irregular do verbo fazer, pode desempenhar numa frase diversas funções morfológicas – é o contexto, portanto, que precisa ser levado em consideração para a correta decifração de seu uso. No último período do terceiro parágrafo, o termo feito pode ser substituído pela conjunção comparativa como, que se segue de uma oração condicional cuja conjunção se está elíptica. Em resumo, feito, ao introduzir uma oração comparativo-condicional, equivale a uma conjunção. 

Resposta: E

Não consigo entender como o feito introduz uma oracao comparativo-condicional, o comparativo eu consigo perceber, mas o "condicional" não. Porque feito não pode ser adverbio de modo?

ivanginato23
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Re: UNESP

Mensagem por Elcioschin em Dom Jun 18 2017, 19:28

Outro modo de escrever a frase seria:

Não jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-as COMO SE medisse os passos, ...

Nesta acepção COMO é conjunção (da mesma forma que)
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