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Cotas.

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Cotas. Empty Cotas.

Mensagem por Medeiros Qua 04 Maio 2016, 00:59

Quando li o texto abaixo não resisti a compartilhar aqui e o reproduzo integralmente (e sem autorização do autor). Aliás não sei se este é o lugar certo no forum; se não for, que alguma alma caridosa mude.
O original pode ser visto em: [Tens de ter uma conta e sessão iniciada para poderes visualizar este link]


Que a escola que me deu tudo possa dar tudo a todos!

POR FERNANDO BRITO · 02/05/2016

[Tens de ter uma conta e sessão iniciada para poderes visualizar esta imagem]

Sou, com enorme orgulho, ex-aluno do Cefet do Rio de Janeiro, naquele tempo Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca.

Ainda ontem mostrei para meu filho, coitado, sem nada entender do pai, um velho livro de Metalografia da Editorial Mir, russo, em espanhol, porque os em português, da americana McGraw Hill eram muito caros e não dava para comprar.

Foi uma escola que nasceu para filhos de operários, para formá-los técnicos, como Escola Técnica Nacional, uma das poucas vitórias da derrota de Gustavo Capanema, ministro da Educação de Vargas, para Euvaldo Lodi, que imporia um sistema de ensino técnico “terceirizado”, via sistema S (Senai, Sesc, Senac) onde as federações empresariais davam a palavra, o currículo e o limite: não era mesmo para passar do técnico. Na ETF, íamos a cálculo diferencial, que demolia todos os calouros de Engenharia, na faculdade.

Devo ao Cefet, como abertura de horizontes de conhecimento, não hesito em dizer, mais que à faculdade, que me deu o igualmente precioso convívio e participação.

Foi onde aprendi também o que depois confirmaria com Darcy Ribeiro, que escola não pode ser uma porcariazinha: tem que ser ampla, gostosa, bonita, agradável. Tem de ser o céu.

Por isso, sinto um aperto no coração ao ler, no Facebook, o depoimento de Elika Takimoto, uma professora do Cefet (tenho dificuldade em não escrever mais Escola Técnica), sobre a chegada e o triunfo dos cotistas ali. E, ao mesmo tempo, um imenso orgulho de saber que a minha querida escola agora pode, de novo, ser parte do meu querido país, quando ainda tinhamos ali – e cada vez menos, porque a qualidade do ensino atraía a classe média, mais bem preparada para as provas, os filhos do povo trabalhador para quem ela foi criada há 74 anos.

“Professora, como é estudar? Me ensina?”


Elika Takimoto, do Cefet


Há quatro anos, tivemos no CEFET/RJ nossos primeiros alunos cotistas. Para entrar lá, os jovens fazem uma prova de seleção. Naquele ano, 50% das vagas foram destinadas para alunos negros, de escolas públicas e com renda baixa.

Lembro-me que levei um susto ao entrar em sala. Havia negros e alunos extremamente diferentes na forma de se expressar. Eu simplesmente não sabia como lidar. Pensei em escrever uma carta para Dilma reclamando. Se esse governo quer colocar cotistas em sala, que ao menos nos dê uma certa infra-estrutura para recebê-los! Psicólogos, pedagogos, assistentes sociais… cadê esse time para nos ajudar? Nada? Como assim?

Da mesma forma que sempre fazia com a minha turma, eu mandava o meu aluno estudar. Dizia que se ele não fizesse a parte dele, não passaria porque bababá bububú… muitos alunos cotistas não mexiam o dedo mesmo eu repetindo o discurso: você tem que estudar! Você tem que estudar!!!

Percebi que muitos não sabiam o que era “estudar” porque, meodeos, nunca haviam estudado. Era como eu virar para qualquer outro na rua que nunca, por exemplo, estudou música e falar: você tem que treinar piano! Você tem que treinar piano! O cara ia sentar em frente ao piano e fazer o quê? Não saberia nem por onde começar! Quando percebi isso entrei em desespero porque o problema era muito maior do que pensava…

O que fazer? Desistir? Deixar que todos repetissem? Mas seriam muitos! O desespero une os seres humanos que estão sob o mesmo inferno. Nós, professores, fomos conversando e juntamente com parte da equipe pedagógica, criando subsídios para esses alunos.

A ficha caiu quando um menino de boné e cordão prata veio até mim e falou: “Professora, você fala que eu tenho que estudar. O que seria exatamente isso? Eu não quero perder essa oportunidade. Me ajuda…”

Esse menino mal sabia pegar no lápis por falta de hábito…

Tivemos que lidar também com tensões e preconceitos que existiam entre eles. Por exemplo, alguns alunos que vieram de escolas particulares com família bem estruturada não entendiam por quê o colega não fazia o trabalho direito. Inicialmente, houve, em algumas turmas, segregação. No jogo de xadrez, por exemplo, onde temos peças pretas e brancas, eles perguntavam quem seria os cotistas e os não-cotistas…

Sei que criamos aulas de atendimento… preparamos nossos monitores para atender a esse novo perfil de aluno. Ensinei a aluno segurar no lápis e organizar o raciocínio para aprender física e fazer problemas de IME e ITA como fazia em todos os outros anos e dá-lhe conversas com todos os demais privilegiados para entender que não é excluindo que incluímos ninguém. Não é fazendo o mal que faremos um bem…

O que nenhum professor do CEFET admitia era baixar o nível de nossa instituição. Eles, os alunos cotistas, teriam que alcançar os demais. Foi preciso muita dedicação, hora extra, mais avaliações para o aluno ter oportunidade de recuperar a nota – dentre outras coisas maiores como, por exemplo, amor ao próximo e empatia à causa – para que o equilíbrio, enfim, fosse alcançado.

Foi preciso muito mais trabalho…

Fizemos um forte levantamento sobre o rendimento desses alunos. Quanta emoção ver as notas deles no segundo semestre se igualando aos demais colegas que tiveram muito mais oportunidades e condições para estudar. Quanta emoção… conseguimos, gente, conseguimos… estamos conseguindo…

Percebi claramente que falta de base nada tem a ver com capacidade intelectual e me surpreendi muito quando vi minha cara se esfarelando e a poesia sambando na cara do meu preconceito ou melhor, do meu desespero – no sentido, aqui, de negar a esperança.

Este ano (como em outros nas minhas turmas do primeiro ano), minha primeira avaliação foi coletiva e não individual. Os alunos tinham que fazer um grupo, estudar entre eles e, no dia da prova, eu faria uma pergunta em que somente um deles, sorteado por mim na hora, resolveria no quadro a questão por mim colocada. A nota do aluno escolhido seria a nota de todos os demais componentes daquele grupo. Essa foi uma forma que encontrei de forçar os alunos privilegiados a me ajudarem a ajudar os menos privilegiados.

Para um jovem de 15 anos, isso beirou o absurdo das injustiças. Uma aluna veio falar comigo: “professora, eu vou ter que convencer o outro a estudar como? Eu tô chamando e ele, quando vem, nada fala!”

Com muito amor e já mais experiente e segura, expliquei a ela que estávamos lidando com uma pessoa que vinha de uma realidade completamente diferente e que a forma de incluí-la não seria fazendo um chamado comum porque esse ser já tinha sofrido na pele o diabo da exclusão social e se sentia amedrontado perante os demais. “Você vai ser o diferencial na vida dele. Dependendo da forma em que se chegue a ele, você pode despertar um artista, um sábio, um colega pensante ou minar qualquer coisa boa que possa emergir.” A menina de 15 anos me olhou assustada. Nunca talvez ninguém havia lhe dado tanta responsabilidade. Continuei: “Sim. Temos que, acima de tudo, cuidar uns dos outros sempre. Isso se aprende também na escola.”

A prova foi ontem. Sem querer, escolhi o aluno com maior dificuldade. Ele foi ao quadro e falou com certa timidez natural, mas com uma segurança que eu mesma não esperava.

Ao final da aula, a aluna veio emocionada falar comigo: “Professora, fiz o que a senhora falou. Chamei o menino de outra forma e com jeitinho fui tirando dele o que ele sabia e mostrando a ele como agir. Estudamos a tarde toda. Você viu como ele falou bem?”. Havia o orgulho e a felicidade em ter ajudado o próximo e incluir um que, em outra época, seria completamente jogado às margens da nossa sociedade sendo o que chamamos de “marginal” em sua essência.

Escrevo isso sob uma emoção ainda muito forte. Quando vejo a primeira turma de cotistas se formando com louvor sem nada mais ter do que se envergonhar em termos de conhecimento em relação aos seus colegas, eu devo agradecer por essa oportunidade que esse governo me deu de fazer com que eu fosse uma verdadeira educadora. Devo agradecer pela oportunidade de me fazer unir e dialogar com os colegas e crescermos todos como um verdadeiro centro de ensino. Devo agradecer por ter me feito um ser humano infinitamente mais sensível e melhor.

Reclama da política das cotas quem nunca sentiu na pele e testemunhou o desabrochar da dignidade de um cidadão…
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Mensagem por Convidado Qua 04 Maio 2016, 10:36

Blá blá  blá. A cota não deveria existir. Deveria ter educação de qualidade para todos e ensino superior também. Tudo gratuito.  

A cota ajuda em muito mesmo quem* está fumado no estudo e ao mesmo tempo prejudica quem está bem no estudo já que aumenta a concorrência. 

Discurso bonito não torna a realidade mais florida. 

A cota deveria existir? Sim. Em que contexto? Quando o estado realmente fazer cada escola um instituto de realmente educação de qualidade que no futuro melhoraria os alunos e estes melhor qualificados disputem vagas igual para igual.

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Mensagem por Convidado Qua 04 Maio 2016, 10:41

Fora isso deixa o estado acomodado e os professores também; "ah* meu aluno não está bem preparado, mas vai entrar pela cota, está tudo bem".

Acomodação do estado fica fácil.

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Mensagem por Convidado Qua 04 Maio 2016, 13:53

Esse texto é muito bom!
No início, a professora se mostrava muito preconceituosa, mas depois ela viu que estava errada. Como pode um(a) professor(a) comparar um cotista com uma pessoa que nada sabe de piano? Realmente, percebemos que ela era muito ignorante, e depois ela aprendeu com as diferenças. Isso prova que cotistas são tão bons quanto não-cotistas.
Agora falando sobre cotas em lugares onde a maioria dos direitos humanos são cumpridos, falamos de Cuba. Lá não existem cotas, pois o filho do lixeiro estuda na mesma escola que o filho do político ou do filho do embaixador. Porque todos têm seus direitos garantidos.Lá não existe um sem-teto. Lá as pessoas não usam crack, nenhum negro tem alto risco de morte, como aqui no Brasil. Além disso, lá não existe cotas, justamente por causa que todos têm direitos iguais.
Agora voltando para as cotas a nível Brasil, enquanto houver alta desigualdade social, sempre haverá cotas. Pois são elas que tentam igualar os direitos dos que são desfavorecidos com os favorecidos. Antigamente, antes de 2003, nem existiam muitos negros em universidades, só agora que está tendo. E nada a ver esse negócio de "Acomodação do Estado fica fácil", então se for assim, Bolsa Auxílio é acomodação do Estado, bilhete único universitário é acomodação, tudo é acomodação, não é mesmo?
Essa é a minha opinião.

Um forte abraço a todos!

P.S: Muito legal de sua parte ter compartilhado isso, mestre.

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Mensagem por Convidado Qua 04 Maio 2016, 17:24

"Bolsa Auxílio é acomodação do Estado, bilhete único universitário é acomodação, tudo é acomodação, não é mesmo?"

Vc está comparando auxílios financeiros com luta entre pessoas por uma vaga na faculdade. Mas vamos lá:

"Bolsa Auxílio é acomodação do Estado": Sim. O Estado não garante o salário mínimo dígno para cada cidadão par poder se manter e inclusive enquanto os filhos ou ele mesmo estuda. O estado dá um auxílio, migalhas em um oceno de desigualdade. Nos EUA maioria das faculdades são pagas... e olha que lá ainda tem desigualdade, mas não igual a aqui.

"bilhete único universitário é acomodação" É um direito buscado por muitos estudantes, não só pelos universitários... ou seja, algo que beneficia a todos, não só um parcela como a cota.

"tudo é acomodação, não é mesmo?". Nem tudo, é verdade, muitas das vezes é corrupção ou simples má gestão de políticos que são indicados por fatores partidários ou vantagens e não técnicos.

Nos cursos mais concorridos das faculdades ainda se vê muito branco... pelo menos qui no norte. Muito pardos e poucos negros.  Maioria com alguma condição social boa.

Prefiro o lado racional da coisa do que me levar pela emoção.

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Mensagem por Convidado Qua 04 Maio 2016, 17:42

Esqueci de comentar também. Os alunos ensinando outros... é um desvio de função... em vez da faculdade ou estado garantir um nivelamento entre estes estudantes(curso extra classe já que a cota está em vigor) gasta-se muito menos fazer o aluno parar para ajudar o colega.

Se ganha em skills sociais, mas se perde no andar da turma com o já pouco tempo fornecido para aulas e ter uma base mais sólida do curso atual e não o anterior. Tem atividades sociais no curso também, mas daí fazer o aluno ser professor é complicado.

É uma história bonita... mas vejo muita coisa errada...
Enfim.

Ainda estou dizendo que tem que ter cota, mas com suas restrições ampliações, ou seja, mudanças.

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Mensagem por hugo araujo Qua 04 Maio 2016, 18:58

Conheço um garoto que estudou sempre em escola estadual pública, em uma região onde a educação é pouco valorizada. Ao final do ensino médio, deram uma oportunidade para esse garoto estudar em um grande cursinho de uma capital brasileira. Porém logo veio as dificuldades, ele escolheu um curso muito concorrido, e além do mais não conseguia acompanhar o ritmo do curso. Lembro como se fosse hoje, apesar de todo esforço e dedicação do mesmo, ele não conseguia acompanhar o ritmo dos outros alunos, pois o mesmo não teve a base necessária para tal. Mas esse garoto não desistiu, correu atrás, está superando as dificuldades, abraçou as oportunidades que teve e está prestes de ser aprovado em um curso concorrido nas universidades públicas brasileiras. 

Educação é reversível, mas ela exige dedicação, e meios qualificados para desenvolve-lá. 

As cotas no Brasil, infelizmente, é uma política necessária. O país cresceu sobre estruturas segregacionistas, quem estudou um pouquinho de história, e tem sensibilidade, percebe isso facilmente.

Paralelamente as cotas, deve haver investimentos diretos na educação, para que se possa igualar os sujeitos que pleitam por exemplo, vagas em cursos concorridos. Quando isso for atingido, não será mais necessária a política de cotas no país. Porém, uma reforma educacional demora muitos anos, não é do dia pra noite, um bom exemplo é o Japão, demorou cerca de 20 anos para colher os frutos da reforma na sua base educacional após a segunda guerra mundial. 

Em vista do que eramos antes, o Brasil avançou muito nos últimos anos em termos de educação, os índices de analfabetismo caíram bastante, graças a políticas, como o bolsa família, por exemplo. Ampliou em todo o país o número de escolas técnicas federais, o número de universidades, cursos de graduação, pós graduação etc, e entre outros avanços que, infelizmente, muitos não reconhecem.

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Mensagem por Matheus José Qua 04 Maio 2016, 19:29

Não é novidade que no Brasil exista uma enorme desigualdade social.
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Essa foto é famosa e ilustra bem isso.
O ensino público brasileiro tem uma grade excelente, melhor do que muitos países desenvolvidos, acredite. MAAS, o problema são os brasileiros (!!!), estudei em escola pública do fundamental ao médio, os alunos são péssimos, tinha gente que não queria saber de nada, só queria... bem deixa pra lá. E sem falar dos professores, tive professores que sentavam a bu*** na cadeira e não diziam nada a aula toda. As cotas existem para acabar com a desigualdade e com a pobreza, dar a quem não pode condições de estudar, não é uma lei eterna (óbvio), é uma lei temporária com o objetivo já mencionado.
Tive que ralar muito para estudar! E nem menciono problemas sociais de escolas públicas. Hoje faço cursinho porque fiquei em primeiro em um concurso de bolsas aqui da minhas cidade.
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Mensagem por anaclaracn Qua 04 Maio 2016, 23:02

Texto muito legal!
Apesar de possuir minhas críticas às cotas, acredito que são medidas necessárias nesse momento para a inclusão social e a promoção de oportunidades. 
Infelizmente, existem muitos problemas no ensino e na infra-estrutura das escolas públicas no Brasil. Salas de aula sucateadas, professores fazendo greve porque não há pagamento, falta de merenda, de segurança, de incentivo... :-(

Como o usuário Matheus José falou, existem muitos alunos na rede pública que não se dedicam, que atrapalham as aulas... Entretanto, não sei como irão mudar essa mentalidade, pois é algo muito culturalmente perpetuado e é fruto também da educação (por parte da família) recebida por aquele aluno. :-/

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Mensagem por Convidado Qui 05 Maio 2016, 14:16

JaJacs escreveu:"Bolsa Auxílio é acomodação do Estado, bilhete único universitário é acomodação, tudo é acomodação, não é mesmo?"

Vc está comparando auxílios financeiros com luta entre pessoas por uma vaga na faculdade. Mas vamos lá:

"Bolsa Auxílio é acomodação do Estado": Sim. O Estado não garante o salário mínimo dígno para cada cidadão par poder se manter e inclusive enquanto os filhos ou ele mesmo estuda. O estado dá um auxílio, migalhas em um oceno de desigualdade. Nos EUA maioria das faculdades são pagas... e olha que lá ainda tem desigualdade, mas não igual a aqui.

"bilhete único universitário é acomodação" É um direito buscado por muitos estudantes, não só pelos universitários... ou seja, algo que beneficia a todos, não só um parcela como a cota.

"tudo é acomodação, não é mesmo?". Nem tudo, é verdade, muitas das vezes é corrupção ou simples má gestão de políticos que são indicados por fatores partidários ou vantagens e não técnicos.

Nos cursos mais concorridos das faculdades ainda se vê muito branco... pelo menos qui no norte. Muito pardos e poucos negros.  Maioria com alguma condição social boa.

Prefiro o lado racional da coisa do que me levar pela emoção.
Boa tarde Jacs,
Eu não quis levar pelo lado da emoção, eu também gosto de ir pelo lado da racionalidade. Pois eu tinha ficado com falta de atenção. (E eu tenho isso).
Só porque o Estado ou a Federação (esta úlTima, nem sei se é essa palavra que se fala e que se escreve)  pode pagar mal, não quer dizer que seja acomodação, isso pe um direito do aluno. Isso é para aqueles que mal têm condições de se manter na faculdade ou não tem condições. 

O que eu não entendi, foi voê ter escrito que cotas era acomodação, e a pessoa não precisava se esforçar tanto para passar. Eu nunca em minha vida conheci uma pessoa que falasse assim: "Ah, eu tenho cotas, então eu não preciso me esforçar tanto". Isso que você escreveu é uma falácia, pois eu nunca ouvi de nenhum vestibulando cotistas falando isso, e eu, por mais ignorante que eu eram nunca pensei assim. (Eu estudei em cursinho pré-vestibular comunitário e nunca ouvi alguém falar tamanha asneira que você citou).

Concordo contigo em relação das faculdades dos Estados Unidos serem pagas, e haver um nível de desigualdade menor que o do Brasil. Isso eu não seu te dizer porque lá há menos desigualdade que aqui. Te garanto que se lá a educação não fosse mercantilizada, haveria muito mais pessoas nas faculdades.
O coeficiente de Gini dos Estados Unidos é menor do que o do Brasil, isso é fato. Além disso, o Brasil, mesmo com as políticas públicas que o PT implementou no Brasil desde 2003, o Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo.

No tocante à estduantes brancos com mais frequência do que os negros nas universidades, concordo contigo também. Eu vou para o CLAC todo sábado (ainda não sou aluno da UFRJ), a maior parte, eu só vejo gente branca, um ou outro é negro ou pardo. E olhe que nós moramos nos estados mais negros do Brasil. Por isso que a cota está aí, para que haja mais negros nas universidades. 

Acredito eu que a maioria dos negros, aqui no Brasil, estão na cadeia, não nas universidades. Eu moro num lugar, que só aqui, há uns três ou quatro presídios (Isso se eu estiver errado, eu moro em Bangu).

Acabei de pesquisar, e eu achei em inglês, vide: http://www.passionforsport.com/banguprison.html . só no Complexo Presidiário de Bangu, existem 80000 presos, Isso é quase uam vez e meia do número dos estudantes que estão na UFRJ. Shocked


Última edição por José Ricardo dos Santos em Qui 05 Maio 2016, 14:33, editado 2 vez(es)

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