Filosofia e Niilismo

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Mensagem por darkios em Dom 10 Fev 2013, 11:31

Apresento-lhes o Niilismo, segundo o texto de André D. Cancian:


O niilismo pode ser definido como a implosão da subjetividade.
Alternativamente, e sendo um pouco mais claros, podemos defini-lo como
uma descrença em qualquer fundamentação metafísica para a existência
humana. Não se trata, entretanto, de algo difícil de ser definido, mas
de ser apreendido. Por ser uma noção bastante ampla e abstrata, existe
muita confusão em torno dela. Vejamos alguns dos principais motivos
disso. Primeiro, o niilismo é vago em si mesmo, pois vem de nihil, que significa nada. A palavra niilismo,
que poderia ser traduzida como “nadismo”, de imediato, não nos dá
qualquer ideia do que se trata. Segundo, o niilismo não possui qualquer
conteúdo positivo. Por se tratar de uma postura negativa, só
conseguiremos entendê-la depois que tivermos consciência do que ela
nega, e por isso a compreensão do niilismo envolve muitos outros
conceitos; ele só se tornará visível depois que esboçarmos seu contexto.
Por fim, o niilismo também não recebeu, historicamente, um emprego
consistente, sendo que cada pensador ou movimento o interpretou de modo
bastante particular, quase sempre com um pano de fundo ideológico, na
tentativa míope de justificar um niilismo ativo e militante.

Em geral, vemos o niilismo associado a outras ideias, denotando seu
vazio inerente. Por exemplo, niilismo político seria mais ou menos
equivalente ao anarquismo, repudiando a crença de que este ou aquele
sistema político nos conduziria ao progresso, o qual não passaria de um
sonho mentiroso. O niilismo moral equivaleria à negação da existência de
referenciais morais objetivos, ou seja, de valores bons ou maus em si
mesmos. O niilismo epistemológico, por sua vez, seria a afirmação de que
nada pode ser conhecido ou comunicado. Portanto, vemos que associar
qualquer noção ao niilismo não é exatamente um elogio, mas algo como
colocar ao seu lado uma placa dizendo: aqui não há nada — principalmente nada do que se acredita haver.

O niilismo, todavia, não é só um termo que justapomos a qualquer
ideia que nos desagrade, a fim de desmerecê-la. Seu poder de apontar o
vazio das coisas não pode ser usado como uma arma, pois, quando se
dispara o tiro de nada, automaticamente deixa de existir a arma, e a
coisa toda perde o sentido. O niilismo, sendo um processo radical de
crítica, não pode ser usado parcialmente. Não podemos, por exemplo, usar
o niilismo moral para refutar valores específicos, com os quais não
simpatizamos, imaginando que os nossos próprios valores sobreviveriam à
crítica. Quando afirmamos que a moral não existe, isso implica que não
existem quaisquer valores, sejam os nossos valores, sejam os de nossos
oponentes. Com o niilismo moral, toda a moral é reduzida a nada,
inclusive a nossa. A redução da moral a nada, como vemos, está
respaldada não na gramática, mas na suposição de que a moral é vazia em
si mesma, de que ela não tem fundamentos reais e objetivos. Não se trata
de simpatizarmos ou não com a moral, mas da constatação segundo a qual
ela é um sonho, uma fantasmagoria inventada por nós próprios, não sendo
leis morais, portanto, mais relevantes que leis de trânsito.

Nós, entretanto, nos ocuparemos principalmente do niilismo existencial,
ou seja, a postura segundo a qual a existência, em si mesma, não tem
qualquer fundamento, valor, sentido ou finalidade. Segundo o niilismo
existencial, tudo o que existe carece de propósito, inclusive a vida.
Todas as ações, todos os sentimentos, todos os fatos são vazios em si
mesmos, desprovidos de qualquer significado. Nessa ótica, viver é algo
tão sem sentido quanto morrer, e estamos aqui pelo mesmo motivo que as
pedras: nenhum. Essa parece ser a categoria mais fundamental de
niilismo, em relação à qual os demais tipos tomam o aspecto de casos
particulares. Os niilismos moral e político, por exemplo, podem
claramente ser deduzidos do niilismo existencial — pois, se a própria
existência não tem valor, isso implica que nada tem valor, inclusive
valores morais, inclusive o progresso. (...) Continua em: ateus.net/artigos/filosofia/niilismo/


Outro site também, muito interessante, que aborda um Niilismo menos teórico, mais sensível e prático: niilismo.net
Nesse você encontra poemas, reflexões profundas - óbvias - e imagens.



Para despertar curiosidade, uma das reflexões:

Felicidade:
Nunca
sentimos, na vida real, a felicidade que acreditamos existir. Nossa
crença nela é justificada pela fachada sorridente dos demais, assim como
eles acreditam na nossa. Por isso é comum tantos viverem em função da
felicidade alheia. Todos sempre sorrindo, todos sempre infelizes.
Enganam-se e vivem uns pelos outros em nome de uma felicidade que
ninguém sente. Como pensamos que a felicidade é a única coisa capaz de
justificar a vida, tornamo-nos obcecados em ser úteis. Buscamos
acreditar que os demais são felizes para que isso justifique nossas
vidas miseráveis, ao menos como um meio para a imortal felicidade que de
nós sempre se esconde. Por isso insistimos que a felicidade existe.
Nunca confessaríamos o caráter universal da infelicidade, pois isso nos
implodiria. A felicidade nunca está em nós, nem no outro, só no modo
como pensamos o outro para justificar nossas vidas: um pretexto.
Trata-se da projeção de nossas expectativas nos demais, e esse é o
motivo pelo qual a felicidade sempre se encontra do lado de lá: pensamos
que só os demais podem ser felizes como nós gostaríamos de ser. Sabendo
disso, voltamo-nos aos demais, fazemo-los um favor qualquer, e eles nos
sorriem uma prova de que a felicidade existe. Dela fazemos parte porque
de nós veio o favor. Nossas mentiras, umas vez refletidas nos demais,
tornam-se verdades: também a felicidade é regida pelo princípio da hipocrisia suficiente.
Sentimo-nos miseráveis, nossas vidas não valem nada, e qual é a
solução? Viver pelas dos demais, pois eles, pelo motivo que for, devem
valer alguma coisa. Mas os demais pensam da mesma forma e, assim como
nós, não valem nada para si mesmos. Sentem-se miseráveis, mas acreditam
que nós sejamos felizes: o círculo se fecha. Se eles vivem para nós, e
nós para eles, onde está a felicidade, o motivo pelo qual se vive? Está
nessa miopia. Ai de nós, jumentos do sorrir! A solidão é
insuportável à maioria dos indivíduos exatamente porque nos revela essa
verdade. Revela que as mesmas ações que direcionamos aos demais,
pensando que isso os torna felizes, quando direcionadas a nós mesmos,
não nos trazem felicidade alguma. O círculo se rompe porque não
conseguimos nos enganar sorrindo para nós próprios. A solidão cai sobre
nossas cabeças como uma prova irrefutável de que ninguém é feliz. A
felicidade é um mito e a sociedade é um teatro, então já deveríamos
sabê-lo: a peça em exibição se chama sorria, idiota!



Divirtam-se! Very Happy
darkios
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Mensagem por RobertoPatricio em Ter 19 Mar 2013, 10:29

É, isso só reforça meu amor pelas exatas.

RobertoPatricio
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