Enem 2018 2°aplicação Nietzsche,f.

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Mensagem por Markerrzo em Sex 02 Ago 2019, 17:06

Jamais deixou de haver sangue, martírio e sacrifício, quando o homem sentiu a necessidade de criar em si uma memória; os mais horrendos sacrifícios e penhores, as mais repugnantes mutilações (as castrações, por exemplo), os mais cruéis rituais, tudo isto tem origem naquele instinto que divisou na dor o mais poderoso auxiliar da memória. NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. São Paulo: Cia. das Letras, 1999. O fragmento evoca uma reflexão sobre a condição humana e a elaboração de um mecanismo distintivo entre homens e animais, marcado pelo(a)

A) racionalidade científica. 
B) determinismo biológico. 
C) degradação da natureza. 
D) domínio da contingência. 
E) consciência da existência.

Gabarito letra (E). Gostaria de uma explicação. Obrigado!
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Mensagem por Hume_Mascarenhas em Sex 02 Ago 2019, 17:35

A necessidade de criar em si uma memória, pode ser entendida como o instinto que criou o mais poderoso auxiliar da memória, seria esta a própria consciência de si.
Ele diz que a dor de muitas práticas humanas é consequência dessa característica, que nos distingue dos outros animais. (Que divisou na dor)

Adendo:
Em "Genealogia da Moral, uma Polêmica" há
3 pilares: a crítica sobre os conceitos de bom e mau, a crítica ao ascetismo e a critica à má consciência/culpa.
Resumindo, ele é crítico contra toda razão lógica e científica que se aplique à moral, o que remete à uma constante Nietzscheana, de que o homem é uma animal instintivo, e que vale sobre ele a investigação histórica.
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Mensagem por Markerrzo em Sex 02 Ago 2019, 17:50

@Hume_Mascarenhas escreveu:A necessidade de criar em si uma memória, pode ser entendida como o instinto que criou o mais poderoso auxiliar da memória, seria esta a própria consciência de si.
Ele diz que a dor de muitas práticas humanas é consequência dessa característica, que nos distingue dos outros animais. (Que divisou na dor)

Adendo:
Em "Genealogia da Moral, uma Polêmica" há
3 pilares: a crítica sobre os conceitos de bom e mau, a crítica ao ascetismo e a critica à má consciência/culpa.
Resumindo, ele é crítico contra toda razão lógica e científica que se aplique à moral, o que remete à uma constante Nietzscheana, de que o homem é uma animal instintivo, e que vale sobre ele a investigação histórica.

Fiquei em dúvida entre a letra (A) e a (E). Então eu poderia eliminar a (A) por que Nietzche é um crítico de toda razão científica?
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Mensagem por Hume_Mascarenhas em Ter 06 Ago 2019, 19:26

Sim é uma saída.
Conhecer os pilares da filosofia de Nietzsche pode te ajudar a resolver diversas questões que envolvam o autor: A morte de Deus, o niilismo, o super homem, seu espírito dionisíaco... Entre outros que não citei
Bons estudos : )
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Mensagem por EricFerro em Qua 02 Out 2019, 16:12

Minha interpretação a respeito do trecho "tudo isto tem origem naquele instinto que divisou na dor o mais poderoso auxiliar da memória" é um pouco distinta da de Hume_Mascarenhas, pois penso que o que Nietzsche quer dizer é que a consciência de si não foi criada a partir do desejo de se instalar na memória alheia, vulgo "desejo por glórias ou honras", manifesta de forma explícita em sociedades antigas como os romanos e os gregos, mas sim que a própria consciência de si, dentro da condição humana, é condição fundamental para se entender a gênese de toda moral e religião humanas, seja esta de raízes gregas ou jadaico-cristãs, pois é na consciência do eu que nasce a necessidade do herói grego, ou do vaidoso asceta que, mediante práticas de jejum e castração busca se separar dos demais e receber títulos como o de "santo", isto é, se instalar na memória alheia pelo título de "santo" que lhe foi concedido. Um exemplo claro da aplicação desta lógica nietzscheana seria em relação à classe farisaica dos tempos de Cristo, que não admitiam sequer contato físicos com estrangeiros, e nem mesmo com hebreus não-fariseus, pois acreditavam que estes contatos poluiam a "pureza de suas almas", estes realizavam jejuns e privações de todas as espécies a fim de se colocarem como moralmente superiores frente aos demais, como pode ser observado pelo registro histórico contido em Lucas 5:30: "Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípuls de Jesus, perguntando: __Porque vocês comem e bebem com os publicanos e pecadores?".  Deste modo, o que o autor coloca é que a consciência de si, analisada na perspectiva da condição humana, é o motor que tem na dor melhor mecanismo de satisfação da necessidade de se instalar ou introjetar na memória e na consciência alheia, ou seja, de se obter honrarias frente aos demais membros da sociedade. Esta dor pode ser manifesta em feitos hérculeos ou em ascetismos excessivos. Nietzsche considera, dentro de sua genealogia da moral, que esta inversão de valores provocada pelo surgimento das morais sacerdotais abrâamicas, ou seja, uma inversão em relação à moral das demais civilizações, como a Egípcia, Grega e Romana, pautadas em grandes feitos e honrarias, é devida ao fato de que estas morais invertidas nasceram no seio de um povo escravizado, que encontrou na inversão dos valores dos seus senhores opressores o único modo de oprimi-los, isto é, de "satisfazer ao instinto humano". Esta tese é um pouco paradoxal, mas se olharmos para a história faz muito sentido, como no exemplo que eu lhe dei anteriormente a respeito da seita judaica dos fariseus do primeiro século d.C, lembrando que o povo hebreu é marcadamente um povo escravizado ao longo de toda sua história, obtendo liberdade política só recentemente em 1967 com a recriação do Estado de Israel na região da Palestina.

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