Filosofia da Linguagem

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Mensagem por Lord Stark em Ter 28 Maio 2019, 17:38

''Sobre aquilo de que não se pode falar deve-se calar''. (Wittgenstein. Tractatus, 7.)

Quando Wittgenstein propõe esta frase em seu Tratado Lógico-Filosófico, ele está sugerindo que existe uma diferença essencial entre  falar sobre aspectos dos objetos mundo real e os aspectos dos ''objetos'' metafísicos. Assinale a alternativa que NÃO contradiz o sentido da frase acima, segundo Wittgenstein:

A) A dimensão mística é transcendente, ou seja, não podemos compreendê-la através da linguagem.

B) Não há importância em discutir acerca da ética, da estética ou de Deus, uma vez que não temos acesso a um conhecimento seguro destes ''objetos''.

C) Devemos prezar uma atitude de respeitoso silêncio aos conhecimentos que não podemos significar com nossa linguagem.

D) Por concentrar sua pesquisa nos aspectos lógicos a serem analisados, não se encontra entre os conceitos metafísicos qualquer segurança para afirmar ou confirmar o que estamos significando com as palavras.

E) É absurdo tentar definir conceitos transcendentais por meio da lógica e da linguagem.


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Mensagem por EricFerro em Sex 04 Out 2019, 19:26

Creio que a correta seja a alternativa d, pois no contexto da obra o autor propõe que existem duas lógicas, a lógica formal, como a silogística e a lógica-matemática, e a lógica transcendental, que se reflete no fato de que a forma lógica do mundo é isomórfica à forma lógica da linguagem, e é daqui que as sentenças ganham sentido. Em outras palavras, uma sentença declarativa ou proposição, isto é, que pode ser verdadeira ou falsa, representa um conjunto de objetos articulados no mundo, e constatamos a verdade ou falsidade desta proposição ao olharmos para o mundo e o compararmos com a sentença. Por exemplo, na sentença "A maçã está sobre a mesa" percebe-se que existe uma conexão de palavras que representa uma conexão de objetos no mundo sensorial, daí o autor sugere que estas conexões, presentes tanto no domínio da linguagem como no mundo, são consequência da lógica transcendental do mundo ser isomórfica (apresentar uma forma correspondente) à lógica transcendental da linguagem. Daí que sentenças metafísicas como "O nada nadifica" de Martin Heidegger, à luz das concepções deste autor, não fazem sentido, pois não se observa nesse tipo de sentença metafísica qualquer correspondência com o mundo sensorial. A fim de deixar as coisas mais simples, para o autor o sentido de uma proposição é a sua ambivalência, pois pode ser falsa ou verdadeira, e essa verdade ou falsidade é constatada no mundo, mas o que permite essa correspondência entre linguagem e mundo reside no fato de ambas estas coisas possuírem uma forma lógica em comum, há um "isomorfismo" (Iso = do grego mesmo; morfos = grego para forma) lógico entre linguagem e mundo que intermedia a comunicação entre essas duas coisas. 

As demais alternativas aparentam ser coerentes, talvez para confundir o aluno, mas no fim creio que apenas a alternativa "d" seja coerente com o espírito da obra do autor chamada TLP.

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Mensagem por Lord Stark em Sex 25 Out 2019, 18:12

Muito Obrigado EricFerro!!!
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