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Mensagem por mari em Dom 05 Mar 2017, 11:39

Texto I: Perante a Morte empalidece e treme, Treme perante a Morte, empalidece. Coroa-te de lágrimas, esquece O Mal cruel que nos abismos geme. (Cruz e Souza, Perante a morte.) 

Texto II: Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? Não descende o cobarde do forte; Pois choraste, meu filho não és! (Gonçalves Dias, I Juca Pirama.)

Texto III: Corrente, que do peito destilada, Sois por dous belos olhos despedida; E por carmim correndo dividida, Deixais o ser, levais a cor mudada. (Gregório de Matos, Aos mesmos sentimentos.) 

Texto IV: Chora, irmão pequeno, chora, Porque chegou o momento da dor. A própria dor é uma felicidade... (Mário de Andrade, Rito do irmão pequeno.) 

Texto V: Meu Deus! Meu Deus! Mas que [bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio! ...Musa! Chora, chora tanto Que o pavilhão se lave no teu [pranto... (Castro Alves, O navio negreiro.)

Dois dos cinco textos transcritos expressam sentimentos de incontida revolta diante de situações inaceitáveis. Esse transbordamento sentimental se faz por meio de frases e recursos lingüísticos que dão ênfase à função emotiva e à função conativa da linguagem. Esses dois textos são: 
a) I e IV. 
d) III e V. 
b) II e III. 
e) IV e V. 
c) II e V.

mapll escreveu:Porque IV não pode ser?
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Mensagem por brunnial em Dom 05 Mar 2017, 16:23

Repare na diferença de tom existente no texto II e V, ambos possuem uma carga de indignação que nenhum dos outros possui. Textos I, III e IV não transmitem a ideia de revolta e, sim, de constatação. Podem estar carregados com sentimentos como angústia e fracasso, mas não carregam a total agonia e repulsa a certo fato. Só por aí já dá pra matar a questão. 

Se fossemos mais a fundo, considerando as obras das quais esses textos fazem parte, veríamos que o texto II faz referência a uma cena onde um guerreiro tupi volta para casa após ter sido feito refém por inimigos e não é bem recebido por seu pai, que percebeu que o filho havia clamado pela própria libertação, "chorado na frente da morte" e isso era inaceitável. E o texto V faz parte de Navio Negreiro, de Castro Alves, o poeta inconformado com a situação dos escravos trazidos a força para o Brasil. Sua poesia é carregada de indignação. Há muita revolta nesses dois em questão, o IV é passivo e não transmite agonia, desprezo a uma situação. "Por que chegou o momento da dor. A própria dor é uma felicidade...", ele está ciente disso, não indignado.
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